sexta-feira, 26 de maio de 2017

é o amor debruçado no silêncio




é a visita do tempo nos teus olhos,
 é o beijo do mundo nas palavras
 por onde passa o rio do teu nome; 
é a secreta distância em que tocas
 o princípio leve dos meus versos;
 é o amor debruçado no silêncio
 que te cerca e que te esconde:
 como num bosque, lento, ouvimos 
o coração de uma fonte não sei onde 







 Vítor Matos e Sá
 (Foto de Nishe)

quinta-feira, 25 de maio de 2017

Onde estará?




Eu estou sempre aqui. 
 Eu estou sempre 
aqui. 
Eu estou
 Sempre
 aqui. 

 Telefona-se. 
Não está.





 Ruy Cinatti
 (Foto de Natalia Drepina)

quarta-feira, 24 de maio de 2017




Porque não é verdade que o tempo cure todas as feridas






 Stig Dagerman
 (Foto de Laura Makabresku)

segunda-feira, 22 de maio de 2017

o cansaço




Olho constantemente para o mapa 
mas já não me lembro para onde queria ir. 
Podia ficar aqui,
 enquanto a noite respira nas janelas embaciadas. 
Os móveis apagam-me os passos 
em ângulos cegos
 e, nessas sombras do incerto, 
deixo que o cansaço me tire a peruca da paciência 
assim como a noite nos tira a roupa 
antes de dormir. 

 Isolado num cantinho da boca entreaberta,
 o teu sorriso
 vai contribuindo para o genocídio dos camarões
 que o vinho branco torna sempre menos sangrento. 
Poderia, de facto, ficar aqui 
enquanto desapareces, por fim, num sono sem importância. 

 Vou esvaziando os copos 
e começo a compilar beijos, 
como quem junta, à pressa, moedas caídas pelo chão:
 somos todas putas, rapaz, 
com ou sem vodka. 







 Golgona Anghel
 (Foto de Mariam Sitchinava)